Sandra Gomes
Elas ainda não têm idade para votar no Referendo do dia 23 de outubro, mas já discutem, dentro de sala de aula, a importância dessa votação. E, depois de aprender a lição, ainda levam para casa o tema. São crianças, que, aos poucos, vão descobrindo que a cidadania é um direito e um dever de todos.
Composta por conquenta alunos, uma escola de ensino fundamental, no bairro Jaraguá, na região nordeste de Belo Horizonte está levando ao conhecimento dos alunos o que é o Referendo Popular, que acontecerá em menos de quinze dias em todo o país. São crianças que, em sua maioria, estão em situação de risco social. Elas passam a maior parte do tempo na escola Morada Nova Casa da Criança.
Terminadas as atividades do dia, os alunos levam para casa o que foi ensinado, discutido e aprendido. "São crianças que, há muito tempo, vêm relatando casos de violência, sofridos por elas ou por parentes. É um assunto que elas têm que participar. E elas são capazes de conversar em casa, de ter opinião, de construir uma boa cidadania", afirma a coordenadora da escola, Marília Horta.
Para Marília, essa é uma discussão importante, por isso resolveram trabalhar o tema em sala. A partir do que foi proposto aos alunos, o assunto foi crescendo e tomou forma. O que pode ser confirmado no mural da biblioteca da escola, que ganhou ilustrações e até slogans, como: “Digite SIM para NÃO e NÃO para SIM”.
No próximo dia 23, pais e parentes de milhares de crianças como essas em todo o país vão poder decidir se querem ou não a comercialização de armas de fogo e munição no Brasil.
Taís Barbosa, de 7 anos, explica: "O Referendo é uma votação para ver se a pessoa quer ou não a venda de armas... Se ela votar Sim é porque ela não quer a venda de armas. E, se votar Não, ela quer a venda de armas". Diz com a segurança de quem já entendeu “tudo” sobre o Referendo.
Os alunos da pequena escola como a menina Taís, ainda vão levar alguns anos para se tornarem eleitores. Mas já exercem de alguma forma a cidadania e o que é importante: sabem o que significa o Referendo Popular e até como votar. Em contrapartida, mesmo com as campanhas veiculadas no rádio e na TV e out-doors das frentes parlamentares contra e a favor do comércio de armas no país é fácil notar que grande parcela da população, não têm noção do que significa votar “Sim” ou “Não” no dia 23 de outubro.
Num grande equívoco, muitos acham que a votação será sobre o desarmamento. São pessoas que não sabem - ou parecem não lembrar - que o Estatuto do Desarmamento da População foi aprovado no ano passado e, que portanto, já existe uma legislação que restringe o uso de armas de fogo no país.
Diante de tanta confusão e desinformação, a decisão está nas mãos, ou melhor, nos dedos de 122 milhões de brasileiros cheios de dúvidas, que nas respostas dão “chutes” errados quando questionados sobre a pergunta: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?".
E, se até o dia da votação, os brasileiros não conseguirem entender a pergunta, o que se espera é que se tenha ao menos 'sorte' na escolha.
Se o eleitor for contra o comércio de armas no Brasil deverá teclar o número 1, que na tela corresponde ao Não. E se for a favor do comércio de armas e munição deverá teclar o nº 2, que corresponde ao Sim. O voto é obrigatório para maiores de 18 anos e facultativo para analfabetos maiores de 70 e menores de 18 anos.

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