Sandra Gomes
No último sábado, o jornalista Paulo Henrique Amorim esteve em Minas, para fazer o lançamento e o debate do livro “PLIM PLIM - a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral”, escrito por ele em parceria com a jornalista Maria Helena Passos. O debate foi na livraria Leitura do Pátio Savassi, em Belo Horizonte.
O livro trata das fraudes nas eleições para governador do Rio de Janeiro em 1982, quando militares, SNI (Serviço Nacional de Informações) e Polícia Federal escolheram a empresa Proconsult para apurar os votos e dar a vitória a Moreira Franco (candidato dos militares). De acordo com Paulo Henrique Amorim, as organizações Globo - jornal e TV – “coonestaram” o resultado fraudulento e prepararam a opinião pública para a fraude, que se tornou possível com a ajuda de uma parte da justiça eleitoral. Desta forma, quase que Brizola não assume o governo do Rio. Quase, porque no fim, a eleição foi possível "na lei e na marra".
Plim Plim é o primeiro de uma série de livros que Paulo Henrique Amorim pretende escrever. Ele já adiantou que o próximo será sobre o regime militar e a história da indústria da televisão no Brasil. E deixa claro que a imprensa escrita no país é extremamente conservadora e cada vez mais opinativa, “as reportagens são cada vez mais opiniáticas”, explica. Amorim diz que não existem mais reportagens longas e a forma que hoje é possível falar e encontrar espaço para alguns assuntos é através de livros.
Preocupado com a eleição que é feita hoje no Brasil, o jornalista defende o tempo todo, a idéia de que “não é seguro o voto por computador. A eleição no Brasil pode ser perfeitamente fraudulada. Ninguém conhece a caixa preta dos institutos de pesquisa. Brizola em seu tempo já defendia e questionava: "falta o papelzinho!". Brizola se referia a comprovação material do voto.
No debate com estudantes, jornalistas, pessoas comuns e representantes do PDT Partido Democráico Trabalhista) que lá estiveram Amorim lembrou que "depois da eleição roubada" de Bush em 2000, criou-se uma comissão privada de especialistas liderada por homens “públicos respeitados” nos EUA, como o ex-presidente Jimmy Carter, do partido democrata e o ex-ministro James Baker, do partido republicano. Essa comissão evitaria novas fraudes mudando o sistema de eleição. “No México e Venezuela existe há muito tempo, o voto eletrônico e o papelzinho tão defendido por Brizola”, diz. Desta forma é possível fazer uma recontagem de votos.
Falou sobre a tradição que o Brasil tem de um pensamento político trabalhista, desde a República Velha. E emenda que “o trabalhismo não nasceu em São Bernardo e não nasceu com o PT (Partido dos trabalhadores). Tem várias origens, uma delas está no Rio Grande do Sul, com João Goulart e o próprio Leonel Brizola”.
Lembrou à platéia presente que, no episódio da fraude eleitoral na eleição para governador do Rio em 82, tanto o TRE, quanto a Proconsult e a apuração dos diversos órgãos da Rede Globo começavam a apurar primeiro por onde Moreira Franco era forte, para criar o clima de “já ganhou” e já acostumar a opinião pública para a idéia de que Brizola ia perder. “O fim da história, seria o fim da história também que deu a vitória a Bush. E na Flórida, todas as reportagens mostraram que quem ganhou foi Al Gore”, disse ele.
Quando questionado sobre as CPIs, afirmou que estaria sendo leviano se apontasse um culpado, mas que suspeita “que o grande fornecedor de Marcos Valério foi o Daniel Dantas”, banqueiro e da área das telecomunicações. "As CPIs não vão apurar, mas confio no Paulo Lacerda” (diretor-geral da Polícia Federal). Mencionou o bom trabalho que a Polícia Federal está fazendo no país “apesar de também ter a sua banda podre”, ressaltou.
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