“O mundo do politicamente correto é abominável”
Sandra Gomes
Ele se diz ateu e socrático. É formado em engenharia de produção, tem mestrado em economia e resolveu largar um emprego de ‘concursado’ no BNDS simplesmtente para fazer humor.
Marcelo Madureira esteve em Belo Horizonte no último dia 26 e foi o convidado da Academia de Idéias para falar sobre o “riso-humor”.
Como ele mesmo se declara, é um "prático do humor", apesar de se considerar acanhado. “Você nasce humorista. Normalmente são as pessoas tímidas, recolhidas que vão buscar no humor, o pão de cada dia”, conta o ex-engenheiro do BNDS sentado em uma enorme e confortável poltrona do tipo 'Egg Chair' de cor preta da sofisticada casa que tem como objetivo, promover debates e compartilhar conhecimentos.
Ao contrário do que alguém aí do outro lado já possa pensar Madureira não se propôs a fazer um ‘show de humor’ para um público seleto (aproximadamente 20 pessoas com formação, idade, bagagem cultural e credo bastante distintos). E sim, retratou com alguma seriedade, a sensação ‘prazerosa e esquisita’ que é a de rir.
A conversa durou quase três horas. E só para deixar alguns leitores com água na boca ou a par do que aconteceu por lá, trocamos algumas ideias sobre TV, presidente Lula, políticos, censura e auto-censura (Marcelo destacou a auto-censura, como uma das piores coisas na vida).
Citou personagens ‘risíveis’ como por exemplo, os anões. E ainda enfatizou o grande componente de crueldade inserido no fazer rir.
Lembrou a preocupação com a audiência que esbarra no conceito de televisão aberta. “A audiência é o determinante”, diz. E enfatizou o cuidado de não ser elitista na hora de fazer humor. Para Madureira, o maior interesse em seu trabalho é o de “fazer na TV uma piada política, não excludente, do Oiapoque ao Chuí”.
Marcelo se diz um fã assumido de Paulo Silvino, por achá-lo dotado de humor do tipo sofisticado. “Hoje o que o Paulo faz é muito aquém. Ele é engraçado, inteligente e culto”, revela.
Considerando que a TV brasileira é a indústria cultural mais importante do país, o humorista do Casseta e Planeta deixa claro que existem alguns critérios para que um assunto determinado vire pauta no programa que faz em conjunto com Hubert, Claudio Manoel, Beto Silva, Hélio de La Peña, Reinaldo e Maria Paula. “Tem que estar no Jornal Nacional, na novela das oito, na Veja e no Fantástico. É o ‘talk of the town’ (o papo da cidade). Ao fazer a paródia da novela, você trata de outras questões no Brasil”, completa.
Quanto aos processos na justiça que já teve que enfrentar, Marcelo lembra que o departamento jurídico da Globo já o procurou várias vezes. "Se eu não criasse problemas, o pessoal desse departamento certamente estaria sem emprego", justifica.
“A TV Globo é uma empresa que visa resultados, lucros e tende a diminuir custos. Custo jurídico é um custo. Setores de fora pressionam a TV Globo, que por sua vez, pressiona o Casseta”, complementa para dar fundamento a seus ‘modos’.
Marcelo exibe-se ao se declarar um 'estudioso' dos problemas sociais vivenciados no país. Citou o problema da má educação no Brasil e que a boa educação é nada mais nada menos, que “o investimento que a sociedade faz para o futuro”.
Também defende autores como Eduardo Giannetti. “Para colher os bens da educação é preciso investir quinze, vinte anos. Com a educação, você gasta menos com a saúde, aprende a ler, escrever, a raciocinar...”, especifica.
Enfatizou o problema político brasileiro citando os "três pês": “No Brasil só vai preso PRETO, POBRE e PUTAS (...). O maior problema do país hoje é o judiciário. Os juízes são corruptos, venais”, conclui.
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